A música, enquanto instrumento de produção cultural, é também um meio de representação de uma sociedade. Ela atua como uma narrativa não só de quem produz, mas também de quem escuta. O presente artigo tem como objetivo refletir como a música pode representar a produção cultural de uma época e mostrar características sociais, psicológicas e históricas, além de ser uma ferramenta de interpretação de diversas realidades sociais. Para isso, buscou-se analisar 4 (quatro) letras da Música Popular Brasileiras (MPB) distintas, escritas em diferentes momentos, mas conectadas por um mesmo contexto: As desigualdades presentes no cotidiano social brasileiro.
Neste contexto, música “Índios” (LEGIÃO URBANA, 1986), traz uma perspetiva histórica acerca da colonização dos povos originários do Brasil, e o processo de dominação e escravização que se deu no começo do século XVI. Outrossim, na música “Nos Barracos Da Cidade” (GILBERTO GIL, 1985) e “14 De Maio” (LAZZO MATUMBI, 2019) faz-se uma análise sobre as condições precárias de vida e infraestrutura da população brasileira, sobretudo da população negra, trazendo também um contexto histórico de luta e opressão. Nesta mesma perspetiva, a música “Cota Não é Esmola” (BIA FERREIRA, 2017), permite uma reflexão acerca das dificuldades e preconceitos encontrados no âmbito acadêmico, sobretudo da população negra, e como as cotas são uma ação de reparação histórica, muitas vezes questionada.
Por esse viés, o presente estudo traz uma pesquisa qualitativa dos conteúdos das músicas e a suas relações com o contexto e época que foram escritas, através do estudo interpretativo da etnomusicologia, que consiste na ciência que estuda e reconhece a música como um evento cultural, analisando-a pelo seu contexto histórico, cultural, social e econômico, fazendo-se um encontro entre Antropologia, Musicologia, Etnografia e a dinâmica da sociedade na contemporaneidade.
Subsequentemente, utiliza-se também como base metodológica, uma revisão bibliográfica de autores como Sérgio Miceli e Zygmunt Bauman, que demonstram como o indivíduo e seu estado psicológico é um espelho da sua realidade social, consequentemente influenciando nas suas formas de expressão cultural. Além de, também, obras como “Pele Negra, Máscaras Brancas” (FANON, Franz. 2020), e “História Do Negro Brasileiro” (MOURA, Clóvis. 2023), mostrando como a cultura é influenciada pelas mudanças sociais e historicas e como a população negra é marginalizada apartir dessa construção cultural, sendo a arte nesse contexto, um meio de expressar o sofrimento e as condições em que vivem boa parte da população brasileira
Em suma, com a análise da música e o debate a respeito do tema pela sua revisão bibliográfica, conclui-se como a produção cultural é o reflexo da realidade que a cerca, e que ela pode contribuir e trazer visibilidade para diversas lacunas sociais, e também é um meio de contextualizar as desigualdades sociais e a opressão, principalmente da população negra que é historicamente oprimida.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)